Ex-catador de lixo de Gramacho, Tião Santos lança livro sobre sua história

Ex-catador de lixo de Gramacho, Tião Santos lança livro sobre sua história

Ex-catador de lixo de Gramacho, Tião Santos lança livro sobre sua história

tiao santos

Famoso no mundo todo por ser um dos protagonistas do documentário “Lixo Extraordinário”, o ex-catador Tião Santos, de 35 anos, vai lançar um livro. “Do lixo ao Oscar”, escrito em parceria com a jornalista Carolina Drago, deve chegar às prateleiras até novembro.

— Destaco bem a vida em família. Foi como uma sessão de terapia. Eu até chorei quando contei algumas coisas que ainda são difíceis, como a perda do meu pai — revela.

A história fala desde quando Tião pisou pela primeira vez no aterro sanitário de Gramacho até o dia em que conheceu o artista plástico Vik Muniz, para as gravações de “Lixo Extraordinário”. No filme, Vik faz obras de arte gigantes feitas de lixo, a partir de fotografias dos catadores.

— Se existem contos de fadas, o Vik é minha fada madrinha. As pessoas passaram a ver o catador como ser humano, trabalhador. Olha o que aconteceu na minha vida! — diz Tião, que agora é consultor de instituições como Coca-Cola e o Banco Mundial.

Antes de ser a voz dos catadores como presidente da associação, muita água rolou. Tião chegou ao aterro aos 11 anos, com a mãe, Dona Gerusa Maria, e mais sete irmãos. Depois de ficar sem trabalhos como faxineira, ela recorreu ao lixão para sustentar a família. Aos 13, ele passou a ajudá-la a catar lixo quando voltava das aulas na Escola Estadual Hebert Mozart. Só ficou dois anos longe de Gramacho antes de fecharem o aterro, em 2012.

— Quero que as pessoas conheçam o Tião criança, adolescente rebelde, que teve erros e acertos, momentos de fraqueza e frustrações. Não foi só o “Lixo extraordinário” que me fez assim, apesar do reconhecimento que tenho.

Calmo ao chegar à cerimônia do Oscar, em 2011, quando o filme foi indicado, Tião sabia que a partir dali a vida seria diferente, se ele aproveitasse a chance. Hoje, ele trabalha em projetos para que a coleta seletiva (que separa o lixo antes de chegar ao aterro) seja implementada em todo o Brasil:

— Eu me senti visto por todo mundo. Sabia que tinha uma responsabilidade de usar isso para chamar atenção para a causa dos catadores. Eu me sinto ganhador do Oscar e realizado.

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